Sábado, Setembro 29, 2007

Como é mesmo que Virgílio disse, na Eneida?: "A fortuna favorece os cafajestes". Ou era os corajosos, não lembro!

Curiosidade

Até agora, só uma pessoa baixou A voz do destino, no post abaixo. Fiquei curioso pra saber quem foi.

Domingo, Setembro 23, 2007

Sabe aquele filme, O Iluminado

Se viu, assista esse trailer. É novo. E surpreendente.

E se ainda não viu, assista esse trailer. E veja o filme logo em seguida. E me conte o que achou. Sério.

Surpresas.

Sábado, Setembro 22, 2007

Espólios d'A Insustentável - Es muss sein!

Es muss sein é uma expressão em alemão que significa Tem que ser. É também o motivo do último movimento do último quarteto de cordas de Beethoven. Toda a história do Es muss sein começou de uma forma bem prosaica: um homem devia dinheiro a Beethoven, que, pobríssimo, foi lá cobrar. E o homem, outro pobre, implorou a Beethoven "Tem que ser?" e Beethoven respondeu "Sim, tem que ser! Tem que ser!"

Essas palavras ficaram ecoando na cabeça de Beethoven. Tanto que ele começou a fazer um tema simples de sonata com essas palavras. Tem que ser, sim, tem que ser.O desenvolvimento do tema tomou proporções grandiosas, e se transformou no último quarteto de cordas de Beethoven.

Durante a composição desse quarteto de cordas, Beethoven não pensava mais no dinheiro do homem. Essas palavras "Es muss sein, es muss sein!" se tornaram grandiosas demais. Era a voz do Destino que falava a Beethoven Es muss sein! Para que o sentido dessas palavras ficasse absolutamente claro, antes do último movimento, Beethoven colocou a frase "Der schwer gefasste Entschluss", a decisão gravemente medida.

N'A Insustentável, capítulo 16 da primeira parte, Kundera diz:


...o peso, a necessidade, o valor são três noções íntima e profundamente ligadas: só é grave aquilo que é necessário, só tem valor aquilo que pesa.

...todos nós a compartilhamos [a convicção] de uma certa forma, hoje em dia: para nós, o que faz a grandeza de um homem é ele carregar o seu destino como Atlas carregava sobre os ombros a abóbada celeste. O herói de Beethoven é um halterofilista que levanta pesos metafísicos.

Eu tinha que ouvir isso. Achei o último quarteto de cordas (nº 16, opus 135) com esforço. O último movimento é de uma força impressionante.

Dá pra se ouvir claramente a voz do Destino falando Es muss sein, porque só se vive uma vez. Temos que ser grandes em aceitar nossa vida, e mesmo que eu não acredite em destino, eu não posso deixar de ver essa como uma idéia belíssima. Temos que aceitar as consequências das nossas decisões, porque cada momento é único, cada decisão é irrevogável, todas as nossas tensões são carregadas de um peso incrível.

Mas, o que eu penso é que, uma vez tomadas, e passada a tensão, as consequências são insuportavelmente leves. Viver com as consequências é mais fácil do que decidir. O Destino nos fala a toda hora, como um sussuro, como uma ordem, Es muss sein!

Beethoven nos fala, no quarteto de cordas, que as decisões são pesadas, que o Destino nos comanda, mas viver não precisa ser tão pesado, tão definitivo. A nossa vida é leve, a felicidade é leve. Mesmo nos momentos mais alegres e leves do último movimento, podemos escutar, ecoando, quase distante, a voz do Destino, a voz que sempre nos lembra "Es muss sein!".


A voz do Destino.

Quem quiser ouvi-la, é só baixar daqui.
Às vezes eu me sinto um pouco Franz. Acho que existe uma Sabina metafísica na minha vida.

A Legião Urbana...

seria uma banda melhor se Renato Russo não se esforçasse tanto em cantar pra juventude, em passar uma mensagem, e acaba que essa é uma banda só pra adolescente mesmo.

Quarta-feira, Setembro 19, 2007

Dilema moral

Estava eu, muito tranquilo comprando canetas, quando eu fui tomado por um dilema terrível: existiam duas canetas que eu queria comprar, uma verde e uma azul. Eu pensei comigo mesmo, analisando a situação aos olhos de uma pessoa potencial que me visse estudando com uma delas.

A azul:
"Esta caneta dá uma impressão, assim, mais sóbria, de que eu sou sério e com classe, um estudante que prova teoremas elegantemente. Que ataca problemas com a refinação que come comida japonesa."

A verde:
"Bom, esta é uma caneta mais extrovertida, mais bem-humorada, que dá a entender que eu estudo, estudo e estudo, mas eu sou divertido, espontâneo e alegre."


Depois desses dilemas, eu percebi: que ridículo! Pensando isso sobre canetas! Eu não tenho mais o que fazer mesmo.

Continuei com algumas divagações: ahm, deve acontecer algo parecido com as mulheres escolhendo roupas ou decidindo entre comprar uma coisa e outra. Ah, se for, então não tem nada de ridículo, essa é uma importante incursão ao universo feminino. E deve valer a pena.

Mas eu acho que, depois de tudo, a coisa mais, ahm, comprobatória, foi: eu comprei as duas canetas. E fiquei feliz por isso.








"Comprobatória: que vontade de ser definitivo, não?"

Segunda-feira, Setembro 17, 2007

A leveza

Eu ainda estou curtindo a minha lombra pós-A insustentável. É algo lindo. É uma leveza incrível. Mas, o que mais me chamou atenção esses dias foi que, eu ia começar a ler Musashi (thanks, girl), e qual foi a primeira, a primeiríssima frase do livro?

"E depois de tudo, céu e terra aí estão, como se nada tivesse acontecido. A esta altura, a vida e as ações de um homem têm o peso de uma folha seca no meio da ventania...."

That's settled. Aí vem uma série de posts sobre A insustentável.

Quinta-feira, Setembro 13, 2007

Einmal ist Keinmal - Uma vez é nunca

A insustentável leveza do ser é um dos livros mais fabulosos já escritos. Isso é quase um pleonasmo, mas eu acho que tenho algo interessante pra dizer. É um dos livros que mais se transforma com o tempo e é um que mais me mudou também. Cada vez que eu leio é um livro diferente nas minhas mãos.

A insustentável é um livro mutante. Cada vez eu me emociono mais, mais eu mergulho em todos os personagens, em tudo relacionado a Tomas, Tereza, Sabina e Franz.

Especialmente desta vez (a quarta, eu acho), eu pude sentir tudo com relação a Karenin. Só isso me marcou profundamente, algo que me escapava das outras vezes. Eu juro que ela esteve comigo o tempo todo e teve até uma vez que ela pulou no meu colo, me pedindo um croissant.

Em uma parte do livro, Kundera fala que todos os quatro são as possibilidades não-realizadas dele mesmo, que essencialmente, todos eram o próprio Kundera, se tivesse tomado outras decisões na vida. Kundera escreveu o livro para poder explorar todas essas possibilidades, para poder vivê-las, e é esse o motivo que vai percorrendo todo o livro, que vai soando como um tambor ritmado e forte.

Foi dessa vez que eu compreendi como A insustentável vai se tornando melhor e mais emocionante com o tempo.

Einmal ist keinmal. Uma vez não conta. Uma vez é nunca. Viver só uma vez é como não ter vivido nunca. Nunca podemos comparar qual seria a melhor decisão na vida, não temos com que comparar, porque só vivemos uma vez e cada momento é leve como fumaça. O ensaio para a vida já é a própria vida.

É isso. A insustentável é um livro novo porque a cada vez que lemos, tomamos mais conhecimento das nossas possibilidades não-realizadas, nós entramos em contato com a nossa vida que não foi vivida, a vida que está lá do outro lado, a que não foi escolhida. Ler A insustentável é uma viagem profunda em si mesmo, em todos os nossos sentimentos mais íntimos. Eu sou Tomas. Eu sou Tereza. Eu sou Sabina. Eu sou Franz. Eu poderia ser todos os quatro, e não sou nenhum dos quatro. Eu sou Eduardo. Eu tenho as paixões dos quatro e tenho as minhas paixões. Eu tenho o meu "Es muss sein!".

Quarta-feira, Setembro 12, 2007

Happy tree friends

Esse é o desenho fofinho pra crianças mais doente e trash que eu já vi na vida. Os seus criadores são insanos e devem ter sérios distúrbios emocionais.
O desenho é ótimo. Gargalhadas de terror os aguardam. Assistam.

Segunda-feira, Setembro 10, 2007

Meet the professor

Eu hoje estava vendo umas aulas de física em vídeo, de um professor dos eua que eu não lembro o nome. O pior é o primeiro vídeo, Meet the professor.

- Fulano de tal é professor graduado pela universidade X, fez pós-graduação em física blablabla pela universidade Y, ganhou os prêmios J, K, L W de pesquisa e ensino. Atualmente, é pesquisador da universidade Y e se dedica ao ensino e a divulgação científica.


E eu, pensando: Quando vou começar a conhecer o cara? E depois do anúncio de todos os títulos, de todos os prêmios, o vídeo acabou. Pronto. Conhece o professor que vai te dar várias aulas agora? Ele é um monte de títulos, um monte de diplomas, e . O professor é só uns papéis pregados na parede.

Isso é deprimente. Como é que um cara se apresenta assim, em público? Duh. Ele é só o que faz? Ele é só a profissão? Ele não tem amigos, hobbies, manias, quirks?

Quando eu for pesquisador, um dia, vou querer me apresentar assim, em algum livro científico:

- O professor-doutor Eduardo Costa é um profissional dedicado, amante da culinária e um cozinheiro em fase de testes, viciado em café e em caminhadas noturnas na praia. Joga rpg. Faz piadas na primeira oportunidade. Dizem que ele é nerd, mas ele afirma categoricamente que tudo isso é intriga. Já esteve em situações embaraçosas porque não conteve o seu vício por sarcasmo. Adora literatura e entre seus escritores favoritos estão Kundera, Dostoiévski e Tolkien. Toca violão por prazer e gosta de provar teoremas somente porque é legal. Está escrevendo dois romances. Um talvez saia em breve. Não gosta de baladas frenéticas. Prefere programas onde possa conversar. Tem um horror épico a beterrabas.

E depois, amigos meus poderiam fazer declarações no mesmo espírito. Isso é muito mais um "Meet the professor". O que vocês acham?

Estarei lendo muitos quadrinhos?

Essa é uma cena familiar...





PHD Comics

Sexta-feira, Setembro 07, 2007

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Quinta-feira, Setembro 06, 2007

Mais religioso

Eu estava comentando um dia desses, que eu, ateu lindo, sou muito mais religioso que muita gente cristã por aí. Eu me esforço diariamente em ler a mente de deus quando ele criou o mundo. Eu quero saber o que ele pensava quando criou todas as leis fundamentais da natureza, eu quero saber qual é a dele.

São esforços heróicos. Hercúleos. Hextraordinários.

Mas, claro, eu não sou o primeiro.