Terça-feira, Julho 31, 2007

Réquiem para um sonho - argh!

Esse é um filme propositadamente intelectual. Esse é um filme cuidadosamente preparado pelo diretor, pelo roteirista pra parecer profundo, pra parecer inteligente, pra passar uma mensagem anti-drogas (viu? É isso que vai acontecer com você se você começar a se furar.). Claramente manipulado. Inconscientemente ridículo.

Eu só vou falar desse filme porque ele é desmerecidamente chamado de cult. Ele é aclamado, oooohhhh, Réquiem para um sonho, perfeito, genial, sensacional. É, na verdade, quando muito, assistível numa tarde de domingo, quando a locadora está fechada.

Spoilers! Cuidado, crianças.

Tudo o que eu vi foram três pessoas bundando pelo filme todo, tomando drogas indefinidamente, Harry (Jared Leto), Marion (Jennifer Connelly) e um amigo deles, anônimo drogado e com papel de suporte para esse casal. E, claro, por um filme mais dramático, existe a gorda mãe de Harry, que por acaso é órfão de pai, que vive sozinha numa casa e lida constatemente com o vício do filho, até que ela recebe uma carta anônima dizendo que ela via participar do programa de televisão favorito dela. E o casalzinho, com o amigo anônimo, começa a fazer dinheiro vendendo drogas.

It’s all downhill from now on.

A mãe de Harry toma uns comprimidos para emagrecer, o que o filme nos faz pensar que são drogas. Harry e Marion e amigo enfrentam problemas default de viciados e traficantes de drogas. Todo mundo se dá mal. Todo mundo se fode. Todo mundo se fode tragicamente, lindamente, heroicamente (cof! Cof!) por causa das drogas.

O filme acaba com todo mundo separado, fudido e triste. Para usar uma expressão de Rachel, de Friends, “Há o fundo do poço, mais abaixo dez metros de merda, e então eu.” É a melhor maneira de descrever o que sobra dos personagens no final do filme.

Fim de spoilers, podem continuar lendo, crianças.

E, pra piorar, nos extras do dvd, a atriz que interpreta a mãe de Harry fala que o diretor, Darren Aronofsky, é o próximo Martin Scorcese, que o Anorofsky é um diretor visionário, que o Aforonovsky é extremamente inteligente e argh, blah, cof, bleeeeergh!

A única pessoa que salva o filme, e o torna assistível, é, claro, miss Jennifer Connelly e sua beleza graciosa. Os únicos bons momentos do filme são com ela, e a melhor cena é uma cena de preguiça, de contemplação, de Jennifer Connelly na frente do espelho, nua da cintura pra baixo, seus pelinhos parcamente, timidamente visíveis... Jennifer...

Num mundo que já existe Trainspotting, Réquiem para um sonho é um filme secundário.

Sábado, Julho 28, 2007

Cantada nerd

"Eu queria ser uma derivada para ficar tangente às suas curvas."

Domingo, Julho 08, 2007

Luís Fernando Veríssimo em - Um autor tão bom escrevendo livros iguais

Ele claro, é um ótimo cronista. Ler algumas crônicas dele é engraçadíssimo. Certamente, ele sabe capturar momentos, e contar histórias, e ser engraçado. Mas, com o passar das páginas, eu notei que ele não muda. É sempre o mesmo tom, é sempre o mesmo humor, é sempre a mesma coisa.

Descobrir isso não foi nada agradável. Eu tinha o Luís Fernando Veríssimo como um escritor muito querido. Eu já ri muito, e estimava cada livro, cada crônica. Adoro os seus maiores personagens: o Analista de Bagé, esse freudiano ortodoxo adepto da prática do joelhaço e o Ed Mort, o detetive mais cínico e pobre e inútil da face da terra. Mas, tirando isso, é sempre a mesma coisa.

Descobri isso quando li A mãe de Freud. Com esse, já são sete livros de crônicas que eu já li. As mentiras que os homens contam, Sexo na cabeça, A mesa voadora, Banquete com os Deuses, O melhor das comédias da vida privada e Comédias para se ler na escola.

Ele ainda escreveu alguns romances. Eu vou dar uma chance a ele ainda. Mas, as crônicas, Dio mio, as crônicas... não quero vê-las nunca mais.