Segunda-feira, Setembro 10, 2007

Meet the professor

Eu hoje estava vendo umas aulas de física em vídeo, de um professor dos eua que eu não lembro o nome. O pior é o primeiro vídeo, Meet the professor.

- Fulano de tal é professor graduado pela universidade X, fez pós-graduação em física blablabla pela universidade Y, ganhou os prêmios J, K, L W de pesquisa e ensino. Atualmente, é pesquisador da universidade Y e se dedica ao ensino e a divulgação científica.


E eu, pensando: Quando vou começar a conhecer o cara? E depois do anúncio de todos os títulos, de todos os prêmios, o vídeo acabou. Pronto. Conhece o professor que vai te dar várias aulas agora? Ele é um monte de títulos, um monte de diplomas, e . O professor é só uns papéis pregados na parede.

Isso é deprimente. Como é que um cara se apresenta assim, em público? Duh. Ele é só o que faz? Ele é só a profissão? Ele não tem amigos, hobbies, manias, quirks?

Quando eu for pesquisador, um dia, vou querer me apresentar assim, em algum livro científico:

- O professor-doutor Eduardo Costa é um profissional dedicado, amante da culinária e um cozinheiro em fase de testes, viciado em café e em caminhadas noturnas na praia. Joga rpg. Faz piadas na primeira oportunidade. Dizem que ele é nerd, mas ele afirma categoricamente que tudo isso é intriga. Já esteve em situações embaraçosas porque não conteve o seu vício por sarcasmo. Adora literatura e entre seus escritores favoritos estão Kundera, Dostoiévski e Tolkien. Toca violão por prazer e gosta de provar teoremas somente porque é legal. Está escrevendo dois romances. Um talvez saia em breve. Não gosta de baladas frenéticas. Prefere programas onde possa conversar. Tem um horror épico a beterrabas.

E depois, amigos meus poderiam fazer declarações no mesmo espírito. Isso é muito mais um "Meet the professor". O que vocês acham?

2 comentários:

fisico disse...

Bem, a forma que você quis expressar, acho eu que é um pouco fora da perspectiva cultural do vínculo apresentado por ti pois leva a crer que sua vida é praticamente literatura e ainda mais, indagou de forma fraca o sentimento pela física, no qual é o seu curso. Concordo plenamente que só falar de trabalhos, de papéis que as vezes não dizem muitas coisas é insuficiente no conhecimento de alguém, isso é falta de criatividade mas que exagerasse, exagerou.
Pelo meu modo de ver,se juntasse a sua forma e a do professor, ai sim eu diria que isso é um modo de conhecê-lo, de saber com quem estou lidando.
abraços

Anônimo disse...

Esse post me lembrou o livro de Italo Calvino: O Cavaleiro Inexistente.