Quinta-feira, Setembro 13, 2007

Einmal ist Keinmal - Uma vez é nunca

A insustentável leveza do ser é um dos livros mais fabulosos já escritos. Isso é quase um pleonasmo, mas eu acho que tenho algo interessante pra dizer. É um dos livros que mais se transforma com o tempo e é um que mais me mudou também. Cada vez que eu leio é um livro diferente nas minhas mãos.

A insustentável é um livro mutante. Cada vez eu me emociono mais, mais eu mergulho em todos os personagens, em tudo relacionado a Tomas, Tereza, Sabina e Franz.

Especialmente desta vez (a quarta, eu acho), eu pude sentir tudo com relação a Karenin. Só isso me marcou profundamente, algo que me escapava das outras vezes. Eu juro que ela esteve comigo o tempo todo e teve até uma vez que ela pulou no meu colo, me pedindo um croissant.

Em uma parte do livro, Kundera fala que todos os quatro são as possibilidades não-realizadas dele mesmo, que essencialmente, todos eram o próprio Kundera, se tivesse tomado outras decisões na vida. Kundera escreveu o livro para poder explorar todas essas possibilidades, para poder vivê-las, e é esse o motivo que vai percorrendo todo o livro, que vai soando como um tambor ritmado e forte.

Foi dessa vez que eu compreendi como A insustentável vai se tornando melhor e mais emocionante com o tempo.

Einmal ist keinmal. Uma vez não conta. Uma vez é nunca. Viver só uma vez é como não ter vivido nunca. Nunca podemos comparar qual seria a melhor decisão na vida, não temos com que comparar, porque só vivemos uma vez e cada momento é leve como fumaça. O ensaio para a vida já é a própria vida.

É isso. A insustentável é um livro novo porque a cada vez que lemos, tomamos mais conhecimento das nossas possibilidades não-realizadas, nós entramos em contato com a nossa vida que não foi vivida, a vida que está lá do outro lado, a que não foi escolhida. Ler A insustentável é uma viagem profunda em si mesmo, em todos os nossos sentimentos mais íntimos. Eu sou Tomas. Eu sou Tereza. Eu sou Sabina. Eu sou Franz. Eu poderia ser todos os quatro, e não sou nenhum dos quatro. Eu sou Eduardo. Eu tenho as paixões dos quatro e tenho as minhas paixões. Eu tenho o meu "Es muss sein!".

4 comentários:

asuka_in_sone disse...

Okei, me empreste quando eu tiver tempo de ler. XD

Pois é a curiosidade me trouxe aqui antes do "chegar em casa de noite".

Gostei da resenha, apesar de curta, e de não trazer mais detalhes sobre o livro. Um pouco mais de informações a respeito dos personagens, ou talvez da estrutura, seria legal. =]

o/

Eliana disse...

Eu que assumi uma identidade como Sabina, hj em dia me sinto mais à la Franz...
Saudade de ser Sabina Lorca. ;)

Italo disse...

I want to try it someday. Deve ser bom mesmo. E mais de uma vez pra ver se sinto a mudança.

Agora, tire-me uma dúvida, não foi nesse Tomas que você se baseou para o saudoso "Garfo e Faca" não, né? =]

Gregor disse...

Agora até estou com vontade de reler The Unbearable Lightness of Being.